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Euclydes Ruy de Almeida Dias(1)
Todo pesqueiro deveria ser dotado de monges
de fácil manejo, para a limpeza periódica de seus lagos. Por melhor que
seja o sistema de escoamento, sempre há um acúmulo de lodo no fundo,
prejudicial aos peixes, pelo acúmulo de resíduos, muitas vezes responsáveis
por doenças ou principalmente pela má qualidade da água. Junto com o lodo
e detritos diversos, temos ainda as chumbadas perdidas pelos pescadores,
diariamente.
Um pesqueiro na região de Jundiaí, SP, que visitamos, prova como o sistema
de esvaziamento é importante. O pesqueiro em questão tem um espelho de água,
com mais de um hectare. O monge, com uma profundidade de 6 a 7 metros, tem tábuas
de eucaliptos, madeira considerada de pouca resistência, a maioria
apodrecida pelo tempo, sem condições de serem substituídas. A única solução
é o esvaziamento do lago com mangueiras e a retirada das tábuas
gradativamente. Como o pesqueiro é arrendado, o proprietário das terras
quer dos locatários um atestado que as tábuas podres não oferecem perigo,
pois se arrebentarem, ocorrerá uma inundação, podendo causar sérios
danos aos moradores a jusante. Os arrrendatários não esvaziam o lago, pois
o pesqueiro irira fechar durante a reforma. Assim, as chumbadas vão ficando
no fundo do lago.
A Revista Aruanã nº 73 trouxe um interessante artigo chamando a atenção
sobre o perigo que representam as chumbadas perdidas pelos pescadores nos
lagos nunca esvaziados dos pesqueiros. Ano após ano, as chumbadas vão se
acumulando. O chumbo é um metal pesado considerado perigoso aos peixes e ao
homem. Aos poucos vai se deteriorando, causando toxidade à água, ao fito e
zooplancton, aos alevinos, aos peixes planctôfagos e carnívoros, e no
final da cadeia alimentar, aos consumidores de peixes. O ideal é substituir
as chumbadas por pesos de vidro, como em outros países.
Na região de Cananéia (SP) os pescadores derretiam chumbo para fabricar as
chumbadas de rede de arrasto, respirando vapores tóxicos desse metal,
ocorrendo sérios problemas de saúde. O chumbo atua no sistema nervoso
central, e poderá causar: retenção urinária, vômitos, problemas
gastrointestinais, cãibras, fezes negras etc. Desde 1987 o chumbo
compromete o Rio Ribeira de Iguape pelo efluente de uma fábrica situada no
Ribeirão das Rochas, PR, afluente do Rio Ribeira.
É aconselhável que os pesqueiros esvaziem anualmente os seus lagos para
limpeza do lodo e retirada das temíveis chumbadas. Economicamente é
importante, pois sabe-se que muitos peixes que escaparam de anzóis, não são
mais atraídos por iscas, e só podem ser capturados por outros sistemas ou
com o esvaziamento do lago. Esses peixes continuam a comer ração, dando
prejuízo aos proprietários. O lago vazio permite o uso da cal virgem para
desinfetar (com o lago cheio a cal cega os peixes).
Referências Bibliográficas:
ARUANÃ - Cuidado: veneno Ed. Aruanã, Ano XII nº 73 - abr. 2000 pág 64 a
69
Apostila da ABRACOA 2000 - Como construir um monge - pg 01 a 09 S. Paulo SP
CETESB - 1987 - Chumbo, compromete águas do Rio Ribeira e do complexo
lagunar Ribeira de Iguape
(1) Pesquisador Científico - Instituto
de Pesca - APTA - SAA - São Paulo
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